quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Dia do Professor (postado em meu facebook ontem)








Para todos aqueles que partilham da paixão por minha profissão.
Para todos aqueles que, como eu, acreditam não ter errado em optar por esta vocação.
Para todos aqueles que, a despeito das tormentas, tempestades, obstáculos, desestímulos, críticas, intrigas e tantas outras coisinhas pequenas, enxergam uma poderosa energia e força emanada nos olhos daqueles que ainda contam com nossa paixão por ensinar e nos contaminam com a vontade de querer aprender.
Para todos aqueles que, como eu, ainda enxergam com esperança uma razão para esta luta cansativa, ainda que super-válida: parabéns e...

Aproveitem... Amanhã é mais um dia de luta !



domingo, 28 de setembro de 2014

Professores, acordem! Uma crítica ao texto de Gustavo Ioschpe na revista Veja




Artigo Gustavo Ioschpe – Parte 1

Oi Pessoal!



Um dia, cheguei à sala dos professores e, olhando o mural de avisos, me deparei com um artigo de Gustavo Ioschpe. A reportagem não era nova, o que me fez questionar se a “cegueira do dia a dia corrido do professor”, ou a sensação e crença pacifista de que muitas vezes parece ser “melhor deixar quieto”, ou talvez as condições da “falsa democracia” fez com que todos passassem sem emitir nenhuma opinião sobre o mesmo.
Confesso que, na minha pressa rotineira, foi necessário um dia atípico com “janelas” para que eu pudesse na quietude, “possível”, de um recinto onde supostamente teríamos direito a uns minutinhos de recuperação de força e energia necessárias, ler com atenção o referido artigo. Ao finalizar, senti estranheza ao perceber que se um alguém pendura uma reportagem de tal teor no mural dos professores, o respeito ao profissional passa a ser questionável. Enfim...
Mais adiante, em pesquisas na Web eu descobri que: ufa... Não estou sozinha... Alguém se incomodou também com o discurso deste cidadão, coitado, que não deve ter tido a oportunidade única e exemplar de vivenciar um ano em cada modalidade do ensino público. Assim, sua ignorância será amenizada por tal fato.
Na opinião dele a educação brasileira só vai avançar quando houver demanda pública por melhorias... A meu ver, este cidadão ainda não foi capaz de enxergar esta demanda, pois ela existe, é real, e apesar de já estar lá por muito tempo, é completamente ignorada pelos responsáveis por fazer as legislações na educação se tornarem em realidade. 
Talvez a intenção deste autor tenha sido a de clamar por mais rigor e atuação para que estas legislações e cobranças se tornem em atividades logísticas e de acompanhamento para que as demandas sejam atendidas. 
Atualmente, vejo os encarregados pela elaboração de leis e planejamentos de novos projetos e mudanças na educação, como pessoas que puxam o pino da granada e atiram nas mãos das secretarias, que por sua vez passam, rapidamente aos gestores, que para fazer bonito, jogam no colo dos professores. Porém, ao invés de todos estes proverem os recursos físicos, materiais e humanos necessários ao desempenho razoável da missão do professor, junto a bomba vem a famosa frase: Se vira, pois nós e a SEC estamos no seu pé... rsrs... Tudo isto, democraticamente falando.
A seguir, ele compara o professor a algum tipo de animal desprovido de qualquer tipo de inteligência, ao dizer “tentar falar com o professor médio na esperança de trazer algum conhecimento que o leve a melhorar seu desempenho”. Tal assertiva demonstra total falta de respeito pelo profissional e uma profunda ignorância das condiciones quoque laboris deste, melhor dizendo: de minha classe, bem como do rerum adiunctis
Caso o mesmo esteja lendo este meu manifesto, disponibilizo a tradução ao bom e velho português: das condições de trabalho e circunstâncias que obstaculizam o desempenho do professor. 
Ignora, o pobre inocente, que o professor ora a Deus para amanhã ter alunos que em todo seu percurso tenham sido providos de recursos gerais necessários à formação e preparo às séries às quais se destinam, visto que não se chega ao topo sem passar pelas bases, mas claro ainda, não se constrói um prédio sem alicerce.
Quando este cidadão cita jocosamente que o discurso do professor é o mesmo: “o professor é um herói, um sacerdote abnegado da construção de um mundo melhor, mal pago, desvalorizado, abandonado pela sociedade e pelos governantes”. Esquece-se de citar a fonte: é isso mesmo: gostaria de saber de onde ele tirou isto...
Apesar do fundo de veracidade, à qual ele se encontra distante, o que é plausível e plenamente compreensível, visto que para que ele compreendesse e falasse com propriedade ele deveria ter o mínimo de conhecimento ou fosse um pesquisador interessado e comprometido com a área, pois assim ele adquiriria um conhecimento embasado.
A propósito: existe na história da humanidade dentre os vários tipos, o conhecimento formal e o informal. Sendo o formal é desenvolvido em escolas, academias, universidades a partir da imersão em busca de conhecimentos que respaldem a formação. E, o informal, aquele que se aprende no labor, poiesis e práxis, ao custo do investimento de muito suor que desenvolve um profundo respeito pelo conhecimento prático daquele que nasceu e se criou no meio, a despeito da ausência do saber acadêmico.
Nesta questão, o conhecimento do autor não se encaixa em nenhuma das opções, visto que não é formado como professor e não exerceu a profissão, até onde eu sei, nem mesmo ilegalmente. Portanto, desconhece o fluxo, a rotina, as etapas, as demandas, a infraestrutura e logística necessária ao processo educativo.
Querido senhor. Seria muito lindo, até poético, imaginar que o professor é o gênio da lâmpada. Basta esfregar que ele sai e concede três ou mais pedidos. Porque, professores da vida real necessitam de apoio de diversos aspectos para desempenhar suas funções.
Pensemos. O lixeiro. Ok. Peguemos este profissional indispensável e extremamente importante em qualquer sociedade. Seguindo as premissas esperadas para o exercício da profissão deste, apliquemos ao lixeiro as mesmas condições.
Ou seja: o que se faz necessário ao desempenho da profissão do lixeiro:
Balde de lixo, pá, vassouras, flanelas, uniforme, máscara, calçados, caminhão de lixo, motorista, supervisor, coordenador, gerente... Em caso de uma demanda grande o fluxograma:
Demanda – gerente – reunião gerente x coordenador x supervisor – supervisor x motorista x equipe de lixeiros – monitoramento da execução. Inclusive, reunião onde todos têm direito a expressão de seu ponto de vista, não apenas ouvir e balançar a cabeça mudamente. Pois, quando discordamos, supostamente, temos a obrigação de ofertar possíveis alternativas. E, é deste confronto que saem os bons resultados.
Posso estar errada, neste caso perdoe minha ignorância.
Será que o professor é uma andorinha solitária com uma missão gigante? Aquele que quando acerta, o mérito é da equipe gestora, da coordenação, das secretarias de educação, das famílias...
Entretanto, quando o cenário evidencia o caos no qual a educação se encontra, a falência da educação... Daí...  Culpa-se a quem??? A quem mesmo???
E, baseando em quem??? Qual a fundamentação e embasamento científico existe comprovação que evidencie as afirmações????
Continua... 



sábado, 26 de julho de 2014

Por quê as Novas Tecnologias ainda não estão plenamente inseridas na prática pedagógica das escolas públicas?



Por quê as Novas Tecnologias ainda não estão plenamente inseridas na prática pedagógica das escolas públicas?

A tecnologia deve servir para enriquecer o ambiente educacional, propiciando a construção de conhecimentos por meio de uma atuação ativa, crítica e criativa por parte de alunos e professores (MORAN, 1995).

Complementando: a teoria sem prática é sem nexo, sem lógica, da mesma forma que o ferramental tecnológico sem o conhecimento, sem as condições para de inserção efetiva se tornam em "cavalos de Tróia", porém lotados de ilusões, uns verdadeiros "elefantes cor de rosa no espaço escolar.
Nós professores lidamos com excesso de alunos em sala versus jornada/aula insuficiente, versus falta de apoio logístico, além, de em alguns casos, falta de material e conhecimento tecnológico. Cousteau diz que :"na verdade, não são os avanços científicos e industriais que ameaçam o Homem e a Natureza, mas sim a maneira errada e inconsciente como a Humanidade aplica as suas conquistas tecnológicas". E, realmente, este processo de tentativas x erro x acertos, que nos fazem apropriar do conhecimento não acontece em um passe de mágica e, automaticamente. É preciso busca, são necessárias parcerias, é necessário comprometimento. Nós temos as tecnologias, desde as rudimentares às mais avançadas, porém as usamos, muitas vezes, de maneira inadequada ou insuficiente ou má aplicada. E, creio que é justamente neste pensar que se insere a filosofia de trabalho em parceria, em colaboratividade, em planejamento e sustentabilidade de projetos.
Cabe aos gestores, falando em toda ampla escala governamental, a missão de proporcionarem situações nas quais os professores consigam ultrapassar as barreiras que os separam do conhecimento e prática tecnológica, aliada à prática pedagógica. Porém, também aos gestores, volto a dizer – em ampla escala administrativa governamental, cabe a responsabilidade de criar espaços e logística eficientes para que a APLICABILIDADE TECNOLÓGICA aconteça.
Acredito que muitos de nós já dispõem do know-how necessário não apenas à operação das novas tecnologias, mas à inserção destas na prática pedagógica. Porém, também acredito que aos professores é atribuída a responsabilidade de fazer com que estas inovações sejam realidade no espaço escolar. Entretanto, esquecem-se que nos bastidores do trabalho do professor há toda uma necessidade de suporte administrativo-logístico que na maioria das vezes foge ao controle deste. Esta questão não pode deixar de ser um tema que nos inquiete, bem como nos faça buscar soluções viáveis.
Espero que tenhamos oportunidade de discutir esta e outras questões, quem sabe não encontremos juntos soluções para alguns destes problemas.
Janice Simões - Professora da Rede Pública Estadual, Especialista em Educação Especial; Especialista em Psicopedagogia; Especialista em Mídias pelo UESB-Mec/NTE3; Licenciada em Letras Vernáculas, dupla habilitação:Língua Portuguesa e Língua estrangeira (2004); Bacharel em Administração de Empresas (1997) pela Universidade Estadual de Feira de Santana (2004). Formada em Braille e Libras, Coordenadora em Laboratório de Informática - NTE3. Coordenadora de Sala de Recursos Multifuncionais - AEE - pelo IAT-SSA-Ba. Formada em Dosvox pela UFRJ(2012). Formada em Tecnologia Assistiva - UNESP . Formada em Combate ao Trabalho Infantil. Formada em Combate ao Uso de Drogas e Entorpecentes pela SENAD. Experiente em Educação com Foco em Tecnologia Educacional. Profundamente interessada em Necessidades Educativas Especiais e Tecnologia Assistiva. Formada em Deficiências Intelectuais pela UNESP-SP. Selecionada entre os professores da Bahia para Formação e aperfeiçoamento na língua inglesa pelo estado da Bahia e Consulado Americano do Rio de Janeiro. Selecionada para representar a Bahia na Missão Pedagógica no Parlamento - Brasília - DF, em fase de finalização de projeto para implantação no Colégio Estadual Ernesto Carneiro Ribeiro, participou do programa de desenvolvimento e aperfeiçoamento profissional de professores de inglês nos Estados Unidos, pela CAPES/ Fulbright em janeiro e fevereiro de 2014. Certificada como Professora Língua Estrangeira (2006/2011); Certificada em Conhecimento em Gestão Escolar - Cesp UnB (2011)

domingo, 5 de maio de 2013





A escola ainda presa aos moldes tradicionais continua utilizando a avaliação como meio meramente classificatório e excludente, com raras exceções. 
Em uma pesquisa, fiz o apanhado juntamente com uma colega e chegamos às seguintes informações: 

Intervalos de notas -                  4 a 5      -            6 a 7         -              8 a 10 
MATEMÁTICA                     18 alunos                6 alunos                apenas 1 aluno 
PORTUGUÊS                      18     "                    7     "                           0 

O que leva a um desempenho em percentual: 

Intervalo de notas -           4 a 5          - 6 a 7             - 8 a 10 
% MAT                            72%            24%                 32% 
% PORT                          72%            28%                  0%

Os resultados obtidos se referem ao 6o. ano do ensino fundamental II e refletem  a necessidade de se repensar:

O que houve de errado no processo de aprendizagem?

Este questionamento nos leva à necessidade de se estudar cada avaliação individualmente, tentando resgatar o processo e hipóteses utilizadas pelo estudante para chegar aos resultados.

Não dificuldade de se visualizar o processo, é imprescindível, caso não haja nenhuma conexão plausível, que se faça uma abordagem individual solicitando ao estudante que reflita o processo e explique como e porquê chegou aquele entendimento ou a razão de não ter respondido.

A avaliação é um instrumento valioso que serve em primeiro lugar para o professor, para que este entenda a efetividade e eficácia de seus métodos, do mesmo jeito o contrário deve ocorrer onde apresente indícios de ineficiência ou ineficácia. Reconhecendo os fatos, os resultados devem ser separados: os positivos deverão ser analisados para que se tenha certeza a que ponto refletem a aprendizagem dos alunos, ao mesmo tempo qual metodologia a ser utilizada para que estes alunos continuem no processo de aprendizagem sendo estimulados às fases posteriores.


No caso de resultados abaixo da meta esperada, estes deverão ser analisados cautelosamente para que se entenda quais estudantes não aprenderam por deficiência metodológica, quais não aprenderam por demandarem de estratégias mais adequadas às suas especificidades, quais estudantes não aprenderam em decorrência do contexto familiar/social em que estão inseridas e até que ponto estes obstáculos podem ser minimizados pela escola através de várias ações, discussões, estudos, pesquisas e trocas.



Precisamos mudar nossa concepção tradicional, superada e equivocada dos processos avaliativos, visto que, como somos profissionais não apenas de aplicação, mas de reflexão crítica e ajuste e readequação metodológica de forma contextualizada à realidade de nossos estudantes, devemos pensar todo processo avaliativo em todo seu percurso buscando entender de que forma a avaliação vem se processando em cada indivíduo, e quais suas especificidades, qual a melhor forma de contemplar estas diferenças, para que o objetivo final: a aprendizagem se dê da melhor forma possível.

A avaliação que busca apenas segregar, excluir, estigmatizar e classificar o estudante é abominável, injusta e perversa.


Assim acredito.
Janice M M Simões

domingo, 28 de abril de 2013

Importância da leitura de mundo

Uma colega partilhou e eu também partilho pela extrema relevância.
Abraços.
Chimamanda Adichie - Os perigos de uma história únicahttp://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=ZUtLR1ZWtEY#!

LUGAR DE FAMÍLIA É NA ESCOLA ! ! !


Há muito tempo atrás as pessoas cuidavam dos seus filhos e não precisavam ser convidadas a ir à escola. Na verdade elas sentiam a escola como se fosse extensão do próprio lar. Sempre arranjavam um tempinho de estar por lá. Era um tempo onde os pais se preocupavam com quem os filhos andavam, o que os filhos estavam fazendo, como estavam se comportando. E, a escola estava sempre movimentada, era um pai e uma mãe entrando e saindo... O movimento era tão intenso que todos na escola se conheciam pelo próprio nome. Não era a " mãe de fulano" ou tem uma "mulher aqui querendo falar com a diretora". Desde o porteiro à diretora, todos conheciam os nomes, ou pelo menos o nome de um dos pais dos alunos.

Hoje, as pessoas parecem insensíveis à falta de respeito, à falta de moral, e conformados têm seus direitos violados e se calam... Os tempos passaram... As famílias entraram em conflito e sua configuração sofreu com isto. Os pais descobriram que possuem vontade, desejos e conflitos além do espaço famíliar... E, em uma busca desenfreada por se descobrirem mergulharam no egoísmo e na irresponsabilidade familiar.
Se por um lado é psicologicamente justificado, por outro passa a ser completamente inaceitável, vez que pode-se buscar alternativas que não comprometam os entes familiares. A responsabilidade pela constituição e evolução da família é consequência e, deve ser assumida e preservada.
A criança não pode ser atropelada por circunstâncias que independem de sua própria essência.
Sejam quais forem os conflitos, sua vida, suas necessidades precisam ser preservadas. Daí a necessidade de ao menos um pai ou uma mãe presente no cotidiano da criança para que esta se sinta desejada, sinta que existe alguém em quem confiar, alguém que não a deixe na mão, alguém que se preocupe e zele por ela.

Estar presente.
Parece muito, mas não é... A criança, em seu silêncio mudo deixa uma lacuna de um pedido por muito do que ela tem direito...  A presença não é medida em quantidade de segundos, minutos, horas, meses, anos... A presença estar no olhar, no afago, por mais simples que este seja... Em um simples elogio... Em um conselho ponderado, honesto, sincero, direto e racional... Por incrível que possa parecer, existem pessoas esclarecidas, formadas e bem formadas... mas que, em meio ao egoísmo cegante, deixa de enxergar que uma criança é um ser, um indivíduo único, também com dúvidas, inquietações, alegrias, medos, inseguranças, necessidade de falar, de ouvir, de ser ouvida, de participar, de se sentir notada...
Criança precisa de afeto, de estímulo, de carinho ( nada disso o dinheiro compra, portanto condição social não é empecilho)...

Crianças sente necessidade de que seus pais reservem um tempinho para brincar junto com elas...


Crianças estão em processo de construção, portanto precisam que seus pais participem de sua educação explicando com clareza os devidos "porquês"...


Crianças precisam de pais que estimulem bons hábitos...

Crianças também precisam de limites... E, esperam que seus pais os conduza nesta descoberta de forma diplomática...
Finalmente, já passou da hora da família e escola se sentarem à mesa para, em diálogo, discutir, propor e cobrar medidas, nas quais todos se articulem e participem ativamente, dentro das possibilidades... Retomar a parceria antiga, buscar recuperar o que foi perdido, prevenir perdas presentes e futuras, antes que mais lágrimas sejam derramadas.